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da vida honesta dos desmotorizados

By Rodrigo | junho 23, 2008

O jornalista Marcelo Träsel comentou aqui e aqui sobre os benefícios para o trânsito portoalegrense e para a qualidade de vida da população se os moradores das regiões centrais de PoA deixassem de usar seus carros.

Fora os argumentos mais comuns e recheados de importante bichogrilagem (menos poluição, mais exercícios físicos, saúde e coisa e tal), me parece que o argumento econômico que Träsel apresenta merece destaque:

Na verdade, usar transporte público é muito mais racional, economicamente falando. Claro, ninguém aqui vai negar que carros são divertidos, convenientes, confortáveis, bonitos e agradam às mulheres. Porém, custam caro. Muito caro. Usar táxi para realizar todas as suas atividades diárias pode compensar mais do que ter um carro, se você mora perto do centro. Considere o seguinte: uma viagem em bandeira 1 do centro da cidade até a Terceira Perimetral não costuma passar de R$ 15. Se você mora nesse círculo e for e voltar ao trabalho de carro todos os dias, gastará R$ 750 por mês, em média. Muito menos do que o valor de uma prestação de automóvel (60 vezes de R$ 487 para um Uno Mille 1.0 bagaceiro na Caixa Federal), mais gasolina, estacionamento, impostos, seguro e os inevitáveis consertos.

Embora sua análise seja feita sobre dados geográficos de Porto Alegre, acho que pode ser transposta à Curitiba. Para a maioria dos bairros que circundam o centro, uma viagem de táxi centro/bairro não passa de 10 reais. Se levarmos em conta que qualquer estacionamento no centro custa pelo menos 10 pilas para umas 4 horas, o taxi já está compensando. Sobretudo para sair pra beber. Mais segurança, já que o motorista do taxi dificilmente vai estar embriagado, menos preocupação (ultimamente já ouvi dois relatos de roubo de pneu step em estacionamentos) e menor custo.

Taxi on Brooklyn BridgeClaro que, como também aponta o Träsel, isso vai contra boa parte dos valores ardorosamente cultivados na sociedade atual. Ter um carro particular assegura certa individualidade, independência (ainda que isso possa ser questionado), e - obviamente - um status que boa parte das pessoas está buscando. Pode ser muito cool posar de alternativo ou ecologista, frequentar a bicicletada, e contar para as meninas que você veio de bike para salvar o planeta mas talvez não seja tão admirada a proposta de ir para aquele motelzinho esperto na garupa da magrela.

Mas, de qualquer forma, considero a rede de taxi de Curitiba muito boa e suficiente para garantir independência de locomoção urbana, inclusive com fins de entretenimento adulto. Existe um grande número de empresas que operam na bandeira 1 24h/dia, possuem telefone 0800, e um número de carros grande o suficiente para que nunca se fique mais de 10 minutos esperando, depois de chamá-lo. Recentemente estão surgindo ainda boas novidades: carros com sistema de GPS e pagamento com cartão de débito. Sem risco de ser engabelado pelo motorista, já que o mapa na tela mostra exatamente o percurso que deve ser feito, e sem necessidade de ficar andando com dinheiro de papel por aí.

Topics: urbanidades |

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