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o soco, o chute e o grito (de gol?)
By ßøRðe® | junho 25, 2008
Interessante, tenho encontrado algumas idéias minhas por aí. Estive pensando em um tema pra exercitar minha escrita; não um tema específico, e justamente por isso achar interessante o percebido. Não pretendo aqui uma articulação completa da minha idéia, ainda não a tenho. Apenas o esboço de tal idéia se afigurará na sequência.
Tudo começou já há algum tempo, no trânsito, leituras, conversas esporádicas ou mesmo nas homéricas. Penso ter iniciado o raciocínio numa noite de segunda-feira, dirigindo, quando voltava da Associação Psicanalítica de Curitiba, após a leitura do texto Complexos Familiares de Jacques Lacan. Nele o autor apresenta os complexos como organizadores no desenvolvimento psíquico. Então, o mais primitivo dos complexos é o do desmame, que se compõe com todos os outros ulteriores. O complexo de intrusão coloca ali um outrinho, observado em relações sociais quaisquer, em posição de deleite - já que de leite ainda se abunda em pleno seio. Grosso modo, o sujeitinho se aliena à imagem especular que se lhe é refletida, esta é tida como uma intrusão narcísica (lá vem mais um falando lacanês, pois bem, ainda não cheguei onde queria, aguentem mais um pouquinho). Difícil pensar a agressividade como secundária à identificação no que diz respeito ao ciúme? Não muito? Isso tudo me fez pensar justamente sobre a violência enquanto expressão desta rivalidade. Quero dizer com isso que há saídas possíveis e não somente esta; ao mesmo tempo, pela identificação, podemos usar de exemplo desde a criancinha que chega no berço e faz aquele carinho gostoso de 16 toneladas no bebê, até aquela que começa a chorar quando vê outra chorando. Claro que até a idade adulta o sujeito ainda passa pelo - tão famoso - complexo de Édipo, considerado o próximo na função de ‘organizador’.
Foi mais ou menos daí que caí num tema que gosto muito e que ainda não me pus a redigir: futebol. Pelo raciocínio seguiria mais pela questão da rivalidade, a violência mesmo. Elucubrei acerca da atualização, da reedição desta rivalidade nos fanáticos e frenéticos. Na noite passada vi partes da entrevista do Zé Miguel Wisnik ao programa Roda Viva e hoje dei uma procurada por aqui. Não que o tenha ouvido falar a respeito da violência, mas creio poder me apropriar de mais argumentos pra discussão. Ele está lançando um livro chamado ‘Veneno remédio: O futebol e o Brasil‘. Devo dizer que fiquei ainda mais curioso para lê-lo após o cometário de Idelber Avelar. Pra complementar o comentário, leia também uma entrevista de Wisnik à Idelber - datada de 2006, quando o livro estava sendo confeccionado.
Como se as idéias já apresentadas fossem poucas, li também O trabalho do luto e achei que em tudo se relaciona na amarração. Muito provavelmente não o use enquanto texto base pra falar do tema, mas serve pra atentar à banalização da violência, das relações, da vida e da morte.
Chega! Já escrevi demais pra uma estréia!
Fui!
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Topics: futebol, urbanidades |















