Archive for julho 8th, 2008
Especial Ciência: O mundo mais relevante
terça-feira, julho 8th, 2008Educação alimentar:
- Tofu pode elevar risco de demência, diz estudo
- Efeitos alucinógenos dos cogumelos são duradouros, indica estudo
- Educação sexual:
- Fêmea de dragão-de-komodo tem cinco filhotes sem ter sido fecundada
- Farmácias estatais da Suécia começam a vender pênis de plástico
"Em uma semana, vendemos cinco dildos", comemora Margarete Fors, 62
A fúria de um gato
terça-feira, julho 8th, 2008Só pra constar, um trecho legal do livro que eu citei ali embaixo:
“Não sou uma pessoa que odeia cães. Odeio aquilo em que o homem transformou seu melhor amigo. O rosnado de uma pantera, sem dúvida, é mais perigoso que o rosnado de um cão, mas não é feio. A fúria de um gato é bela, incandescente com a pura chama felina, todo o seu pêlo eriçado lançando fagulhas azuladas, os olhos ardentes e crepitantes. Mas o rosnado de um cão é feio, o rosnado de uma multidão de brancos racistas no linchamento de um paquistanês… o rosnado de alguém que usa um adesivo “Mate um bicha por Jesus”, um rosnado hipócrita e nervoso. Quando você vê esse rosnado, está olhando para algo que não tem rosto próprio. A fúria de um cão não é dele. É ditada por seu treinador. E a fúria de uma multidão em um linchamento é ditada pelo condicionamento.”
Como tornar seu dia melhor olhando peças de bacalhau salgado.
terça-feira, julho 8th, 2008Dia desses, uma quarta, foi excepcionalmente puxado no trabalho. Dúzias de atendimentos a serem feitos, problemas com colegas e todas essas coisas que todo mundo vive dia ou outro. Estava sem um puto no bolso, o que me obrigou - na saída - a andar várias quadras até um banco para fazer um saque salvador. Como não há nenhuma agência perto, tive que andar como um camelo sedento até descolar umas notas. Quando finalmente consegui, perdi o ônibus. Mais pra frente, pisei num cocô de cachorro. Num grito misto carpado de ódio resignado, me limitei a maldizer o mundo com todas as minhas forças.
Como já estava ferrado mesmo e tinha tempo sobrando, resolvi fazer um percurso aleatório por ruas interessantes até em casa. Sempre dá pra descobrir coisas novas em percursos aleatórios por ruas interessantes.
A aleatoriedade me levou até o Mercado Municipal. Há muito tempo eu não entrava lá e nem me lembrava de como é legal! Só a mistureba de cheiros já me provocou algo perto de um orgasmo. Frente à umas frutas bizarras com descrições do tipo "fruta da África do sul, sabor parecido com banana, maracujá e laranja lima" tive que me controlar para não pular entre as caixas espumando pela boca. O preço, acima de 50 mangos o quilo, me trouxe a realidade. Mas a mistura de estímulos visuais e olfativos do lugar é algo que pra mim foi quase terapêutico.
É diferente de um shopping center, onde também existe uma pluralidade de estímulos. Enquanto no shopping a mistura de luzes, sons, cores e pessoas é algo totalmente nauseante, não te deixa focar em nada em meio a imensidão de coisas que exigem foco, no Mercado Municipal, apesar de ser caótico, os estímulos se harmonizam. Sim, são um monte de frutas e legumes empilhados e ladeados por imensos sacos de cereais, bacalhau salgado, bugigangas importadas e senhoras enrugadas. Mas são tudo isso combinado em um ambiente tranquilo e bem distribuído.
Evitei as lojas de bebidas, temendo gastos descontrolados. Desejei de longe uma caixa de Erdinger. Sorri sozinho na barraca de pimentas, com uns molhos afrodisácos descritos como "viagra do Pará" e "aji no morto". Fui tirar umas fotos e vi um cartaz: "olhe, fotografe, filme… mas por favor, compre alguma coisinha". Fiquei só nas fotos, não comprei nada que - por enquanto - afrodisíaco ta dispensável por aqui.
Entrei numa loja de produtos orientais, atraído pela vitrine cheio de quinquilharias coloridas. A coisa mais interessante que vi foi um refrigerante de babosa. Bizarro. Com tanta fruta no mundo, por que alguém faria um refrigerante com algo que as mães e avós passam no
cabelo? O resto dos produtos eram inutilidades de plástico, dessas de camelô e Casa China. Fui dar uma contemplada honesta e desinteressada na mocinha que atendia a loja, uma japonesinha ruiva de andar rebolante. Quando ela sorriu pra mim me animei um pouco, mas engatou um "o senhor conhece o descascador de pinhão?". Desisti da orientalidade e fui embora.
Saí do Mercado mais feliz, esqueci do cocô de cachorro (sim, eu já tinha limpado) e fui faceiro pra casa. Gastei só 12 contos. Comprei um chá com gosto de mato e “O Gato por Dentro”, de William Burroughs, que eu podia ter comprado em qualquer outro lugar.















