Archive for julho 23rd, 2008
Barbie girl
quarta-feira, julho 23rd, 2008
Alex Sandwell Kliszynski é um fotógrafo de casamentos. Além disso também possui trabalhos artísticos muito interessantes em que seus modelos são transfigurados em bonecos plásticos estilo barbie. Observar as imagens me trouxe, ainda que brevemente, por falta de fundamento ou de saco, uma reflexão sobre a efetiva artificialização e pasteurização do - como chama o Border - antropos moderno. Estereótipos inatingíveis transformando homens e mulheres em réplicas de si, insípidas, inodoras e de material atóxico.
A REVOLUÇÃO DAS DROGAS
quarta-feira, julho 23rd, 2008Você já ouviu falar no I-Doser? É bem possível que sim. Ele surgiu em 2005 e vem ganhando cada vez mais adeptos, um exemplo disso é a comunidade no Orkut que não pára de crescer. O software que promete simular efeitos similares ao das drogas consumidas ao redor do mundo (das leves às mais pesadas) funciona a partir de freqüências sonoras chamadas sons binaurais, que ouvidas por determinado tempo sincronizam as ondas cerebrais em mais ou menos Hz, deixando-o mais ativo ou relaxado e até experimentando conversas com sua alma, alucinações ou viagens para fora do corpo. Apesar da novidade, a descoberta de que freqüências somadas poderiam alterar a consciência humana aconteceu em 1839 pelo estudioso alemão Heinrich Wilhelm Dove.
Os sons consistem em chiados e barulhos nada agradáveis onde o usuário deve ficar em média 30 minutos sem fazer absolutamente nada, apenas concentrando-se nos ruídos que devem ser ouvidos em fones estéreos. Uma das doses mais interessantes relatadas pelos usuários é a Lucid Dream, a qual o usuário deve tomar antes de dormir, o I-Doser promete com algum treino torná-lo mais consciente em seus sonhos dando o poder de controle e ao acordar lembrar de tudo o que sonhou.
As doses são descartáveis, após usá-las as mesmas são invalidadas, para repetir basta ir ao site (www.i-doser.com) e comprar mais doses. Apesar de inúmeros relatos da eficácia das doses muitos não conseguem atingir os efeitos esperados e dizem se tratar de placebo. Os criadores do software dizem que assim como as drogas a reação varia de pessoa para pessoa e que há possibilidade de que as mesmas não estejam usando as doses da maneira recomendada.
A novidade trouxe muita polêmica, os responsáveis pelo programa puxam a sardinha para seu lado alegando que o mesmo é para uso de entretenimento, e que muitos viciados escrevem e-mails dizendo estarem se beneficiando do I-Doser para largar a droga química. Por outro lado, autoridades brasileiras referentes ao assunto afirmam que do ponto de vista de prevenção não é adequado, pois induz à experimentação e mais cedo ou mais tarde o usuário vai querer tomar uma dose de verdade. Outro ponto inquestionável é que por mais que não cause os mesmos danos físicos das drogas em si, as doses virtuais podem causar dependência psicológica, como qualquer atividade em excesso.
Bom ou ruim a pedra foi lançada, acho que ela reflete muito bem o contexto atual, onde parecemos estar caminhando cada vez mais para um mundo artificial/virtual, os humanos colocando as máquinas frente ao contato direto com o mundo externo e com as pessoas, as drogas ganhando mais importância talvez por serem tão bem adequadas ao amortecimento da realidade. Será um meio de se sentir protegido perante o caos e a violência que apavoram e instituem um sentimento de medo global? Seqüestros, terrorismo, guerra entre as nações, aquecimento global, esgotamento da natureza, ninguém confia mais em ninguém e, ao invés do homem tentar solucionar os problemas que estão aí à tona, lhe parece mais pertinente cuidar do seu umbigo, ignorar a realidade e fazer rios de dinheiro.
Disse noutro momento que publicaria este artigo após aprovação do autor; aprovado, postado! Manoel Santos é psicólogo, exímio guitarrista, flamenguista e nosso amigo pessoal
, portanto, tomem cuidado com ele!














