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Hakani

By ßøRðe® | agosto 14, 2008

Tem assuntos que ninguém gosta de falar. Quando uma mulher indígena do grupo arawá sai para dar à luz, por exemplo, ninguém vai junto. Esse é um momento só dela. Ela sai sozinha, mesmo que seja muito jovem e aquele seja seu primeiro bebê. Ela procura uma árvore ou arbusto onde possa se apoiar, se agacha, e ali enfrenta suas dores. É ali, na hora do parto, que essa jovem mãe tem a grande responsabilidade de decidir o futuro da criança. Ela só poderá ficar com o bebê se ele for perfeito.

Em tempos de respeito e tolerância à diferença surgem sempre novas questões a serem respondidas. Afinal, o que é mais importante, a preservação de vidas ou a preservação de uma cultura? Há de se considerar que tal questão veio do próprio núcleo indígena.

A posição mais cômoda continua sendo a da omissão - omissão muitas vezes maquiada de respeito às diferenças culturais.

ATENÇÃO! ESTE FILME POSSUI NUDEZ E CENAS FORTES!

Enquanto faltam dados confiáveis, muitas das mortes por infanticídio são mascaradas nos dados estatísticos como morte por desnutrição ou causas inespecíficas.

Para o coordenador de assuntos externos da FUNAI, Michel Blanco Maia e Souza, os casos de infanticídio não merecem maior atenção do governo. “Não temos esses números, mas acredito que sejam casos isolados.”

A prática do infanticídio tem sido registrada em diversas etnias, entre elas estão os uaiuai, bororo, mehinaco, tapirapé, ticuna, amondaua, uru-eu-uau-uau, suruwaha, deni, jarawara, jaminawa, waurá, kuikuro, kamayurá, parintintin, yanomami, paracanã e kajabi.

Em Benin, não precisa muito para uma criança ser sentenciada à morte. Basta que na hora do parto, saiam primeiro os pés, os ombros ou as nádegas. Se a cabeça sair primeiro, mas com o rosto virado para baixo, se a mãe morrer no parto, se os dentes inferiores nascerem primeiro, ou se não nascerem dentes antes dos 8 meses, a criança também será executada. Isso na frente dos pais, que ainda têm que pagar pelo serviço. Há registro de casos de mães que fogem e se isolam com seus bebês, com medo da execução.

foto_hakani_3

Hakani nasceu em 1995, filha de uma índia suruwaha. Seu nome significa sorriso. Conheça sua história.

Visite o site: www.hakani.org.

 

 

 

 E você? O que pensa disso tudo?

Topics: quotidianidades |

5 Responses to “Hakani”

  1. Ton joslin Says:
    agosto 14th, 2008 at 9:26 pm

    Tai uma questão que da pano pra manga, amigos oitonais, a muito antropologos discutem as melhores medidas a se tomar em situaçoes onde a vida é colocada em risco por crenças culturais.
    Na minha opinião não se pode interferir de maneira punitiva ao processo cultural desses povos, cada cultura constroi seus signos e significados, criando assim sua logica propria de raciocinio, agir de maneira a forçar esses povos a modificarem sua tradição, so traz a revolta por parte desses…. a cultura ocidental tão habituada a serem os bons civilizados precisam respeitar as diversas culturas.
    Porem não devemos ficar com as mãos cruzadas, esse problema so se resolve a partir do momento que toda a sociedade consegue, a partir de algum processo (conscientização, interpretação, reveleção), modificar tais regras, a unica coisa que nos ocidentais devemos fazer é deixar que as informaçoes racionais (logica de pensamento ocidental)cheguem ate esses povos, não de maneira imposta….. dessa maneira novas ferramentas poderão surgir para uma reisignificação cultural….. ou não rsrs

  2. ßøRðe® Says:
    agosto 14th, 2008 at 9:58 pm

    A gente tá tão acostumado a falar em cultura ocidental que já tá tirando os índios dessa. Afinal, seriam nossos índios pertencentes à cultura ocidental?

  3. ßøRðe® Says:
    agosto 14th, 2008 at 10:10 pm

    E mais, o que diz a Constituição Federal com relação ao infanticídio? Esta lei abrangeria também nossos conterrâneos? Segundo o que você diz, a interferência de maneira punitiva não deveria ser empregada. Como dizer pro caboclo que ele vai ter que passar um tempinho enjaulado por ter enterrado uma criança sem alma desviando da dita ‘punição’? Porque você toca em um ponto extremamente pertinente que é a criação de signos e significados, então, reformulo a questão: como, através desta oferta do nosso ponto de vista, dar um novo sentido a um ritual milenar sem se pretender invasivo?
    Uma medida que poderia ser pensada é prestar assistência a quem solicita e deixar que os outros se quebrem como lhes convier no meio do mato? Sim! Será que é a saída? Fato é que alguns dos integrantes deste grupo já não se contentam com os significados até então impostos. Pois bem, esse é mais um sintoma pós-moderno, agora fora da roupagem ‘cara-pálida’.
    Cadê as referências?
    E agora José?

  4. Ton Joslin Says:
    agosto 14th, 2008 at 10:32 pm

    Não os indios não fazem parte da cultura ocidental, essa cultura eu coloco como aquela influenciada pela filosofia greco-romana, ou seja, aquela cultura que rompe com as explicaçoes mitologicas e religiosas e procura as respostas “racionais”
    Os indios não são considerados cidadães brasileiros, justamente por naum pertencer a logica e regras dos brasileiros, porem a justiça pode intervir em algumas açoes, como no caso dos indio patacho que foi preso por assassinato.
    Cara essa interferencia na cultura milenar é complicada, sabemos que a sociedade funciona de forma dinamica e não estatica, não existe sociedade estatica, falo isso por que as vezes as sociedades “primitivas”parecem ser estaticas pois seguem sempre os mesmos mitos e ritos, porem a forma como essa sociedade interpreta os ritos e mitos se modificam com tempo, mesmo essas sendo sociedades com pouquissimo contato com o mundo exterior….. Porem o contato com a cultura ocidental acelera esse dinamismo de maneira clara, so que não podemos imaginar o que esse dialogo podera trazer na interpretação da realidade dessas tribos, mas sabemos que havera um estranhamento cultural e em seguida uma releitura por parte desses, talvez possa trazer solucão para os impasses como o infanticídio, assim como, pode reafirmar esse habito….. vale a pena? naum sei…. mas as vezes parece melhor deixar eles se virarem no meio do mato rs

  5. Niii Says:
    agosto 17th, 2008 at 6:44 pm

    Primeiro eu não vi os videos, segundo eu vou declarar que essa é a minha opinião porca capitalsita homem branco ocidental, tudo junto esteriotipado e sinceramente espero que pelo menos em algumas dessas questões os índios não possam se considerar incluídos.
    A minha primeira construção a respeito disso foi o lugar comum, não podemos interfirir na cultura de um povo, mesmo nessa minha doce sociedade perfeita por motivos bem mais egoísta é cogitado matar ciranças que não sejam perfeitas, sem entrar nos méritos das não desejadas. É claro que hoje existe toda uma política de inclusão e de volta a nossa doce sociedade perfeita carecemos de profissionais especializados para dar asssitência a essas crianças.
    Se a própria sociedade indígena já se questiona quanto suas tradições ela poderá desenvolver argumentos mais eficientes na construção de uma nova realidade contra a prática do infanticídio.

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