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das cartinhas que não entreguei
terça-feira, novembro 4th, 2008Café preto gelado sem açucar. Palavras amargas com gestos de candura. E eu que nunca gostei de praia me surpreendo sorrindo olhando pro mar. Imagino você de bikini, areia nos pés e nos cabelos, pele cheirando a bronzeador. Me mostre as marcas que teu corpo carrega e tentarei apagar. Me exiba os calos que te fez a entrega, a despeito deles eu vou te levar. Não esconda receios, te quero inteira, costelas à mostra te aguardo na mesa. Te sirvo um café amargo, também tenho calos, frieiras e pigarro. Não fumo um cigarro pra poder te beijar. Te entrego uma rosa murcha, guardada seca dentro da gaveta. Sei que tuas flores também já secaram, não me envergonho. Me envergonho é das flores que não entreguei.
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Paixões diárias, amores de uma vida que duram uma noite. Liberdade, dissemos. Caminhando em ruas não recomendáveis, não vamos dar as mãos porque será muito dificil soltá-las. Não precisamos disso. Ouvimos músicas e não nos lembramos de ninguém. Essas brincadeiras são perigosas, mesmo assim, de levinho. Marcas de mordidas são apenas marcas de mordidas. Liberdade, dissemos.














