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bebadosamba
terça-feira, novembro 11th, 2008Sim! Bêbado samba e bebe do samba quem tem boca, goela e ouvido atinado! Tô devendo [pra mim mesmo] há um tempão falar sobre o disco do Camelo, vulgo Marcelo Campelo, ou, se preferirem, Lula Molusco Barbado. Pois é, o cara tem alguma coisa que me atrapalha a cabeça, dá um circo-cirquito aqui e o troço fica estranho. Mas tô falando da estranheza freudiana mesmo, daquela que ao mesmo tempo é tida como justo e avesso, alheia e íntima, unheimlich e heimlich. E isso [Tuchê é testemunha viva] vem desde o 4, dos Manos Herlos, disco que também me causou certa inquietude e necessidade extrema de saturação à exposição. Só pra colocar em números, no que o meu perfil do last.fm tem registrado de vezes que o sou tocou aqui em casa [fora o que eu ouço diariamente no carro, academia, ou cantarolo por aí], foram 136 execuções – pra 14 músicas é uma quantia razoável, hein? tenho a discografia do Lenine e conto com mesmas 136 execuções em seu nome. Mas isso tudo é só pra introduzir os cometários a seguir.
Li por aí muita gente que não gostou do disco, execraram o menino, e tinha até gente metendo zóio ruim, torcendo pro Amarante humilhar o corcovado companheiro de banda com algum trabalho solo. Sei que depois de assumir a necessidade de ouvir exaustivamente fica até difícil falar mal, mas não é esse o objetivo. Já tem uma cambada de mané xingando por prazer, não sou disso. Tenho algumas ponderações e acho que não sou o único a chegar a elas.
Camelo tem samba na veia e na pegada; no som nem sempre, mas mesmo quando não, dá pra sacar. Gosto disso! Tem também algo que vem do 4 soando como um experimentalismo ou qualquer coisa que o valha, isso mais me aborreceu do que alegrou no disco. Como exemplo cito a faixa 1, ‘Téo e a Gaivota’ que eu ouvi duas vezes e quase deletei, não ouço mais. Outra coisa que cansa é a falsetagem que o menino aprontou. Não gostei! Isso vem de tempos já [vide ‘De onde vem a calma’ e seu final à la Radiohead, entre outras], mas não precisa tanto. Tem quem precise disso tipo Oswaldo Montenegro e Dave Matthews, ele não.
“Isso lá é bom?” é uma ótima frase! Inegável que o cara manda bem nas letras, que, tudo bem, diminuíram um pouco e ganharam outra consistência, mas continuam boas! Introspectividade até o talo!
‘Liberdade’ é uma que eu ouvi bastante; tem o aroma de Amélie Poulain [provavelmente pelo acordeon de Dominguinhos] e a sensação de caminhar pelos campos de trigos roçando as mãos nas espigas [como no filme ‘Gladiador’]. ‘Janta’ é bonitinha principalmente por ter a Mallu – que, na minha opinião, desafina bem pra cacete! O arranjo de ‘Vida Doce’ me lembrou o show ‘Milagres do Povo’, produção e execução do Tuchê, com Dimi e Andriirso. ‘Menina Bordada’ é uma graça e me lembra uma graça de menina [que eu espero que cuide bem de mim!]! ‘Saudade’ e ‘Passeando’ tem duas versões e eu me pergunto a razão mesmo sabendo a resposta. ‘Santa Chuva’ ficou legal, bem Camelo [saca quando você pensa “nossa isso é Caetano pra caralho”? então, essa é Camelo pra dedéu!]. Aí neguinho vem falar mal de ‘Copacabana’ e argumenta que o Chico já fez isso em 66.. Ah, vai pra PQP!! Então vamos jogar todas as guitarras no lixo porque já tivemos o Hendrix, o Vaughan e o Page??
Camelo na minha opinião mandou bem no disco! Tem essas coisa que eu assumo não ter gostado, mas o cara foi autêntico! Isso é fato! Chamou ali a rapaziada do Hurtmold pra pilotar os instrumentos [aliás, interessante ele ter chamado uma banda paulista pra fazer o som!] e estão todos de parabéns!
Incontestável é a afirmação que Marcelo Camelo já é um grande molusco no meio artístico!
Eaê? Já ouviu?














