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“abordar navios mercantes”

sexta-feira, novembro 21st, 2008

Quem não se lembra do Paulo Ricardo, grande ícone do roquenrôu oitentista brasileiro, mandando ver nos vocais da RPM [e o baixão só nas tônicas!]? É isso aí.. Só não sei se ele imaginaria que no ano de 2008 ainda contaríamos com um grupo tão organizado de piratas saqueando e sequestrando petroleiros pelo mundo afora. Bom, se ele assistiu o último Rambo da série talvez tenha tido notícia, ou talvez tenha levado pro lado ficcional. O que importa é que a gente de vez em quando brinca de pirata por aqui, coloca tapa-olho sem real necessidade, espadinha de madeira, lenço na cabeça e barris de chopp com rum, mas tem gente levando a sério a fantasia.

Se você ainda não entendeu nada, calma que a explicação vem agora. É que tem um “superpetroleiro” saudita sequestrado há seis dias por piratas na costa africana. O jornal El Pais diz que o resgate de €25 milhões deve ser pago em 10 dias ou “medidas desastrosas” estariam por vir. John Brunett, pasmem: especialista em pirataria moderna, diz que “No mundo marítimo, esses superpetroleiros são como as frutas mais baixas das árvores. […] São alvos fáceis.”

As proporções da embarcação impressionam - o superpetroleiro é três vezes maior do que um porta-aviões americano, por exemplo. A imensidão do navio, porém, é justamente sua fragilidade. Cheio, a embarcação fica a somente 3,5 metros de altura da linha do mar, deslocando-se a cerca de 22 km/h. Na ação, os piratas atracaram na traseira do navio saudita - área que seus radares não cobrem - e facilmente tomaram o convés.

A pirataria na costa leste africana difere daquela praticada em outras regiões vulneráveis, como o sul da China e o Estreito de Malaca, entre Indonésia e Malásia. Nessas localidades, piratas costumam abordar navios para simplesmente roubá-los, enquanto a pirataria na Somália é marcada pelo seqüestro de embarcações. As ações na África exigem um alto grau de especialização, o que faria dos piratas somalis “descendentes diretos dos piratas do século 17”, segundo Adrian Tinniswood, historiador do tema.

Brunett ainda afirma que não dá pra crivar o petroleiro de Rambos embazucados pois uma troca de agressões com os bucaneiros poderia causar uma catástrofe ambiental. Então, veja só a que ponto anda a coisa, não se tem o que fazer contra os ditos cujos. Falam em colocar câmeras de segurança, mas que diabos câmeras fariam de útil no meio do oceano? Tinha que encher um megapetroleiro desse de água, chamar a patota toda [Esquadrão Classe A, Bradock, MacGiver, GIJoe, He-Man, Jaspion, Freddy Kruegger, Vanila Ice, Remo, Chuck Norris, Kojak, Falcon, etc] e explodir com esses caras. Ou então botar o Lula lá na África pra finalmente resolver o problema da distribuição de renda, assim como ele fez aqui. Vai dizer que vocês não perceberam a diminuição no índice de ataques de piratas na costa brasileira?

 

*fonte: O ESTADO DE S.PAULO