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sem coquilha

domingo, novembro 30th, 2008

Levar tapa na cara, soco no estômago e chorar de dor. Envolvimento real, fazer falta, sentir falta e faltar. Cair em chão liso, levantar e andar mancando. Ostentar cicatrizes, tatuagens portuárias, âncoras e eu amo a mamãe. Não aos tapinhas nas costas, sorriso amarelo e oi tudo bem. A vida de verdade, aquela que não deixo me levar, mas encho de tapas e saio arrastando pelos cabelos. Submergir onde o ar é mais escasso e a paisagem mais bela. Overdose de vida, nem de fuga nem de esquiva. Sexo sem pudores, amores e bebidas fortes. Desfazer da covardia fugidia, travestida em calos e maquiagens. Medo não insinuado, revelado e esfregado na cara. Vergonha, formigamento no rosto e lágrimas depois. Mais tapas na cara, porque os que já foram não bastam. Mais olhos roxos, lábios e corações partidos. A vida em profundidade, discutir filosofia ou parafilia. Abraçar amigos, ei cara, tambem fui ferido, também já brochei. Dispensar prazeres instantânos, dores maquiadas, centelhas coloridas e ínfimas. A sangria visível, o sorriso sincero e o te amo, meu bem.

arzinho superior enquanto mecanismo de picaretagem

domingo, novembro 30th, 2008
Se existe algo que me enoja um pouco é a necessidade que algumas pessoas sentem de parecerem descolados. Qualquer evento de sucesso só poderá ser considerado como tal se tiver a presença infame de meninos e meninas com carinha blasé, supervalorizando o tosco e remexendo cabelinhos ensebados. O que me incomoda, na verdade, é o comportamento de afirmar a própria identidade no pertencimento a um grupo e se considerar alguém de atitude e personalidade por isso. Não que eu, ou qualquer outra pessoa, não construa mos nossa identidade e padrões de comportamento no relacionamento com grupos de afinidade. A questão é tomar tais padrões como superiores aos demais, simplesmente porque tenho um grupo para me reafirmar.
No fim das contas, o problema mesmo é ser filho da puta. E filho da puta tem em qualquer lugar. Não sei o que é pior: se caras que só sabem falar de quantos quilometros fazem com um litro de gasolina ou sujeitos que se ouriçam todo ao discorrer sobre seu mega conhecimento musical de bandas alternativas inglesas. Repare: discorrer sobre seu conhecimento, não sobre as bandas. Realmente uma bosta.
Não gosto de pessoas que o tempo todo estão mostrando que devemos gostar delas. Não suporto a subversão de boutique, o lesbianismo descolê, os valores rasos vendidos como a última grande descoberta da humanidade. Acima de tudo, não gosto do aparecismo. Se você é um figura boa praça, com boas idéias e um caráter razoável, não demora muito para as pessoas a sua volta perceberem. Você terá amigos e, quem sabe, até uma garota. Mas, é claro, se você não tem merda nenhuma na cabeça, se teu senso crítico é tão rígido quanto o gel que passas no cabelo, compense isso com meia dúzia de idéias polêmicas emprestadas, subversão rasa e ideologias de boteco. Quando questionado sobre tudo isso, arrepie os cabelos e considere teu interlocutor careta e sem graça. Você é o descolado, afinal.