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vá tomar na bossa, seu filho da nova
By ßøRðe® | janeiro 6, 2009
Já tá na roda desde o ano passado o novo disco do Tom Zé. Depois de estudar o samba e o pagode – e muito provavelmente por ter completado 50 anos por esses tempos – agora é a vez da bossa nova. Os shows do Estudando a Bossa já estão rolando também. Fato que ouvi por esses dias de passagem [o que me desagrada quando não conheço a obra] e hoje resolvi escutá-lo com maior acuidade.
Alguns comentários são desnecessários, dentre os quais cito apenas a minha opinião de que Tom Zé é gênio. Quanto aos comentários que acho fundamentais:
1) a banda é a mesma e as participações são mais que especiais: Zélia Duncan, Fernanda Takai, Fabiana Cozza, Anelis Assumpção [filha d’O’ homem], Andréia Dias, Márcia Castro, Mônica Salmaso, Rita Lima, Jussara Silveira, Marina de La Riva, Badi Assad, Daniel Maia [produtor e diretor artístico do álbum] e David Byrne.
2) Assim como o Estudando o Samba, de 1976, e o Estudando o Pagode, de 2005, o Estudando a Bossa não compreende musicalmente apenas o estilo estudado. Aliás, quem tem contato com a obra do cara sabe de sua assinatura sonora: cheio de altos e baixos, coros, choros, sambas, bossas, rocks, atualmente a aderência crescente à música eletrônica, e a interlocução – essa tão fundamental peça chave. Destaque nesse último disco pro “solo de grito” em ‘Outra Insensatez, Poe!’, em que canta com David Byrne.
3) Ainda linkado ao comentário acima, tratando-se então de não estudar/explorar o ritmo de titulação às obras, de que se trata, pois? Bem, se você já viu Tom Zé falando sobre sua trajetória vai ter maior clareza deste ponto. Trata-se de um homem naturalmente à frente de seu tempo. Não tô dizendo que ele nasceu pronto, é sabido que ralou um bocado, passando pelos ensinamentos de Smetak e Koellreutter. O próprio considera seu berço ‘pré-gutemberguiano’, período em que a transmissão era oral – nem quero falar de psicanálise pra sobressaltar este tipo de transmissão sobre as outras. Acontece que o fruto que cai desse pé é um contador de histórias por excelência, que, aí sim, após ter estudado na Escola de Música da Universidade Federal da Bahia, tem tudo pra arrebentar a boca de qualquer balão que a consciência humana seja capaz de conceber.
Quando esteve aqui em Curitiba foi, na tarde de sábado, contar um pouco de sua história no teatro da reitoria. Fiquei pasmo quando presenciei a narração da concepção da tropicália, o desenvolvimento musical de seus principais elementos, e o cenário musical vigente no período – com direito a contrapontos do período pré e pós, diga-se de passagem; sem contar as pinceladas sobre a história da música, a instituição da escala diatônica, etc e tal. Em suma, o Estudando, no meu ponto de vista, traz consigo isso do historiar, a narrativa, vide como exemplo as faixas ‘João nos Tribunais’, ‘Solvador, Bahia de Caymmi’, ‘O Céu Desabou’, entre todas as outras na verdade [nesse quesito não dá pra escolher uma música ou outra, já que todas estão impregnadas]. Não ouso deixar de citar aqui toda a opereta Estudando o Pagode, ouça!
4) E nessa de cantar histórias, méritos mil pra inventividade, a capacidade de autofagia-reciclável e as grandes sacadas [psicanaliticamente consideradas “tiradas espirituosas”]. Porque não basta ter enredo, tem que saber atuar. E isso ele sabe! Às custas de risos ou lágrimas. Destaque pra ‘Mulher de Música’ e, principalmente, pra parceria, nessa e em várias outras, de Arnaldo Antunes.
Tom Zé me ganha nestes últimos 2 pontos brevemente abordados. Comparando-o com dois outros grandes nomes da música e companheiros de movimento em algum lugar do passado, arrisco dizer que Tom Zé é Gil sem exoterismo e Caetano sem arrogância, só que ainda melhor que eles [segundo Charles Gavin, “o último cavaleiro do tropicalismo”]. Soa pra mim o capiau pós-moderno, tão anacrônico quanto Nietzsche e Freud. Meu grilo falante predileto! Aos 72 anos produzindo muito sempre, lançando disco, fazendo turnês, shows impressionantes no aspecto dinâmico e pelo vigor da execução.
Falando nisso, ele segue com o blog, o endereço fica aqui ao lado esquerdo, em nossa lista de amigos. Por enquanto podemos considerá-lo um link a mais ali, pensando meio que em um ‘amigo platônico’ já que tem também este tipo de amor, pra, quem sabe um dia, com bolero ou roquenrol…
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