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quando o dia nascer e morrer

By ßøRðe® | fevereiro 25, 2010

É triste o anúncio, mas estamos aqui pra cumprir este papel também – o de entregar-lhes más notícias vez em quando. Pois bem, ontem acabou uma das bandas mais sensacionais dos últimos tempos: Cordel do Fogo Encantado. Lembro-me que ainda morava em Londrina e me chegou um “vai ter show do Cordel, vamos?”; “Cordel? Que que é isso?”, respondi dobrando a interrogativa. Um menos entusiasmado disse “é um tal de ‘chuvê, chuvê’ e não sai disso”. Cabaré do Filo, ingresso barato, apesar do nariz torcido de alguém, vambóra!

Cheguei lá no escuro, não tinha nem me atinado de procurar algo pra ouvir antes da apresentação. Não sei se isso foi bom ou ruim a princípio, porque o som tava mal regulado pra dedéu e o grave comia tudo que aparecia pela frente. O que não deu pra pegar em frequência deu pra sentir no peito, cada marretada de alfaia caindo de cima do palco. Experiência, graças ao bom Deus, não única! Acho que ao todo foram cinco shows dos caras em que eu estive presente [preciso conferir os ingressos que tenho guardados] e quem teve a chance de tomar deste pileque lírico-percussivo sabe do que estou falando. Chega um momento em que você tem que decidir entre continuar vivo ou se manter pulando e cantando, pois o fôlego não dá pros dois – e não pensem que é fácil essa escolha.

ShowCordeldofogoencantado-FotoNelyRosa47

 

COMUNICADO - JOSÉ PAES DE LIRA

Com a permissão dos Encantados, sempre:

Anuncio a minha saída da banda Cordel do Fogo Encantado.
São 14 anos de trabalho ininterrupto (11 anos de banda e 3 anos de peça teatral de mesmo nome).
O grupo que é independente desde a sua origem, com integrantes do sertão de Pernambuco (Arcoverde) e do Morro da Conceição (Recife) se tornou uma das bandas mais ativas do cenário de shows da música brasileira. Isso aconteceu com a total entrega dos participantes e a verdade da mensagem emitida.
É com muita dificuldade que redijo essa informação, devido ao imenso amor que eu sinto pelo público e pelos meus companheiros/guerreiros do projeto.
Revelo, por respeito aos que me acompanham, a minha vital necessidade de trilhar novos caminhos.
Ajudei a desenvolver um dos espetáculos mais originais da cultura pop do país e é com esse sentimento de orgulho que sigo em frente.
Com a certeza de que o fogo da nossa poesia e da nossa música nunca se apagará e que nossa força é infinita.

Abraço forte,
José Paes de Lira, Lirinha.

 
Esperamos, sempre, quando nos deparamos com algo do gênero que tenha sido pelo bem geral da nação – em todos os sentidos imagináveis, haja visto muitos outros projetos que aos cacos insistem em forjar o status de bem sucedidos. Claro, tendo em vista a veia dos meninos, já dava pra imaginar que farsa não é muito a deles. Enfim, ficam aqui os votos de sucesso a todos os integrantes do grupo. Quem sabe já já a gente se encontra pra curtir outro dia nascer.

 

* foto por Nely Rosa
* comunicado extraído do site oficial da banda

Topics: musicalidades |

One Response to “quando o dia nascer e morrer”

  1. Rafa Says:
    fevereiro 25th, 2010 at 10:53 pm

    …e um rio carregado de saudade vem correr na minha veia.

Comments