auto-ajuda
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domingo, novembro 23rd, 2008Deus que me perdoe – também não sou dos melhorzinhos – mas como tem gente feia nesse mundo, né não?
porque no rio tem pato comendo lama
quinta-feira, novembro 20th, 2008Taí um vídeo que recebi por e-mail da mais que queridíssima amiga Priscila. Trata-se de um esculacho de uma canadense, Severn Suzuki, durante a ECO 92, no Rio de Janeiro. É de ficar, PELO MENOS, de queixo caído. Só fico pensando se as palavras foram bem aproveitadas: será que alguém faz uso delas? Não como estamos fazendo, aqui, num post. Uso cotidiano! Será?
Valeu Pri!
Aproveitando o ensejo ecológico-ambiental, fica também a propaganda do Green Peace, veiculada há um tempinho na tv.
E você? Tá fazendo o que?
peça pelo número
sexta-feira, novembro 7th, 2008Vantagem: você tem a chance de receber o que não quer e aí pode jogar o alimento no rosto do funcionário, tomar um tapão, abalar bangu dentro da rede de lanchonetes, ser contido fisicamente pelo grupo de oito, dar carteirada e cracházada, gritar feito um animal no cio e ainda ter o seu dinheiro de volta!
camelo-leão-criança
quinta-feira, novembro 6th, 2008
Apesar do peso que a vida me coloca às costas, o otimisto, velho companheiro, insiste em me acompanhar. Apesar de chegar ao final do dia com o stress e a estafa firmemente marcados em meu rosto, com pouco esforço sorrio olhando para uma senhora que aconselha sua filha a manter a boca fechada. Mesmo com vontade de correr em direção ao primeiro rosto conhecido e regurgitar lamentos, frustações, problemas e pedidos de colo e clemência, prefiro mesmo falar de expectativas, projetos e porvires abençoados, trocar afagos, tomar um trago e dormir tarde, mesmo que amanhã eu acorde às seis. Crianças choronas são postas de lado à mesa, o choro abafa o riso. Felizes são aquelas que a despeito do olhar feio do avô, constroem um castelo de purê de batatas e o defendem com um exército de ervilhas, às gargalhadas.
Como tornar seu dia melhor olhando peças de bacalhau salgado.
terça-feira, julho 8th, 2008Dia desses, uma quarta, foi excepcionalmente puxado no trabalho. Dúzias de atendimentos a serem feitos, problemas com colegas e todas essas coisas que todo mundo vive dia ou outro. Estava sem um puto no bolso, o que me obrigou - na saída - a andar várias quadras até um banco para fazer um saque salvador. Como não há nenhuma agência perto, tive que andar como um camelo sedento até descolar umas notas. Quando finalmente consegui, perdi o ônibus. Mais pra frente, pisei num cocô de cachorro. Num grito misto carpado de ódio resignado, me limitei a maldizer o mundo com todas as minhas forças.
Como já estava ferrado mesmo e tinha tempo sobrando, resolvi fazer um percurso aleatório por ruas interessantes até em casa. Sempre dá pra descobrir coisas novas em percursos aleatórios por ruas interessantes.
A aleatoriedade me levou até o Mercado Municipal. Há muito tempo eu não entrava lá e nem me lembrava de como é legal! Só a mistureba de cheiros já me provocou algo perto de um orgasmo. Frente à umas frutas bizarras com descrições do tipo "fruta da África do sul, sabor parecido com banana, maracujá e laranja lima" tive que me controlar para não pular entre as caixas espumando pela boca. O preço, acima de 50 mangos o quilo, me trouxe a realidade. Mas a mistura de estímulos visuais e olfativos do lugar é algo que pra mim foi quase terapêutico.
É diferente de um shopping center, onde também existe uma pluralidade de estímulos. Enquanto no shopping a mistura de luzes, sons, cores e pessoas é algo totalmente nauseante, não te deixa focar em nada em meio a imensidão de coisas que exigem foco, no Mercado Municipal, apesar de ser caótico, os estímulos se harmonizam. Sim, são um monte de frutas e legumes empilhados e ladeados por imensos sacos de cereais, bacalhau salgado, bugigangas importadas e senhoras enrugadas. Mas são tudo isso combinado em um ambiente tranquilo e bem distribuído.
Evitei as lojas de bebidas, temendo gastos descontrolados. Desejei de longe uma caixa de Erdinger. Sorri sozinho na barraca de pimentas, com uns molhos afrodisácos descritos como "viagra do Pará" e "aji no morto". Fui tirar umas fotos e vi um cartaz: "olhe, fotografe, filme… mas por favor, compre alguma coisinha". Fiquei só nas fotos, não comprei nada que - por enquanto - afrodisíaco ta dispensável por aqui.
Entrei numa loja de produtos orientais, atraído pela vitrine cheio de quinquilharias coloridas. A coisa mais interessante que vi foi um refrigerante de babosa. Bizarro. Com tanta fruta no mundo, por que alguém faria um refrigerante com algo que as mães e avós passam no
cabelo? O resto dos produtos eram inutilidades de plástico, dessas de camelô e Casa China. Fui dar uma contemplada honesta e desinteressada na mocinha que atendia a loja, uma japonesinha ruiva de andar rebolante. Quando ela sorriu pra mim me animei um pouco, mas engatou um "o senhor conhece o descascador de pinhão?". Desisti da orientalidade e fui embora.
Saí do Mercado mais feliz, esqueci do cocô de cachorro (sim, eu já tinha limpado) e fui faceiro pra casa. Gastei só 12 contos. Comprei um chá com gosto de mato e “O Gato por Dentro”, de William Burroughs, que eu podia ter comprado em qualquer outro lugar.














