graveleux
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quarta-feira, junho 9th, 2010Vocação para morrer como um artista eu já tenho, agora, para viver como um…
contraventor
quinta-feira, abril 15th, 2010Hoje, quinta-feira, manhã sem trabalho. Mas ainda algo a se fazer. Uma prioridade: escrever pra algumas pessoas queridas – pode parecer pouco se você não as conhece. Shuffle no winamp com todo o repertório disponível. Algumas depois, Santa Chuva, “pô, não tirei essa e é boa”. Dá-lhe eu me esforçando; apesar da pouca complexidade tem o extremo capricho, e isso tem que respeitar. Boa! Ficou bonitinho, mesmo me batendo com o Nuendo que acabo de adquirir. Já no trabalho, um bocado de coisa que ficou pra trás graças a um surto quinzenal e a conferência municipal de saúde mental. “Já comprou uma rifa da minha filha?” vindo da enfermeira. “Não”, com pouco entendimento do assunto. “Tem ainda três números, vou pegar”, completou. Folheio o bloco; realmente, três números. Fico com todos e o primeiro deles é 2266, acho interessante e comento. “66 é macaco”, ela diz. “E 6?”, pergunto interessado. “Peraí… acho que é camelo…” Eu supreso: “camelo? minha manhã foi influenciada por um Camelo, o Marcelo Camelo. Hoje dá camelo no bicho!” E a sequência dos fatos se deu conforme o esperado, eu não sabendo nada de jogo de bicho levei uma aula de brinde. “Ah, não pode”, completei, “hoje dá camelo!” Em poucos segundos ela estava com o celular na mão fazendo uma ligação pra nossa aposta. “Que dia é hoje?”, “15, 1 + 5 = 6, camelo!” O diálogo foi ganhando proporções inimagináveis quando se digita o enredo. “Zequinha, camelo é o que no bicho?… Ah, 8? E 6?… Cabra? É cabra, Bebê…” Respondo: “é camelo!” Após saber que o horário do sorteio era 18h, outro 6, pra não arriscar, “jogamos nos dois então!”
Esse é o registro de minha primeira incursão no jogo do bicho. Confesso ainda não saber se ganhamos alguma coisa, mas levo pra sempre o conselho amigo: “é assim que vicia, Bebê!”
isabeluário
segunda-feira, março 22nd, 2010
bisa pisa bela pela baliza
bata bola bala: isabélica
só se fala nisso tudo e não para
mais uma ferinha foi domada
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Eu ontem vi o psicanalista Contardo Calligaris na tevê.
Ele foi lá pra falar da menina que foi jogada do prédio.
Entrevistavam-no Boris Casoy e Fernando Mitre, que
espantados ficaram pelo não espanto do convidado.
Elucubravam sobre ‘ódio’ das pessoas e toda essa
exposição midiática para as crianças que ficaram.
É mesmo certo que se pode fazer mal ficar como
espectador de uma desgraça dessas? Quais as
expectativas dos infantes para com seus pais?
Elucidaram-se as questões, não bem assim,
e quase isso: sem terror,
é bom que saibam, ódio
existe!
*imagem extraída de http://thalita-gloss.blogspot.com/
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Enquanto gente tão contente em se mostrar,
sorridente e faceira, saltitando frente às câmeras,
gritando, colando cartazes, arrumando o penteado,
tem balanço só ao vento, sem embalo de perninhas
* imagem extraída de http://lineneto.wordpress.com/
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*post de 22/04/08, extraído de http://oito-maisvogalqueconsoante.blogspot.com
uma pausa de mil compassos
quarta-feira, março 3rd, 2010Quarta-feira, aquela coisa, quarta-feira. Pouca expectativa, metade da semana indo pro saco e outra metade ainda por ir. O ‘só por hoje’ é lenitivo na nova batalha contra o hábito de fumar – friso no hábito, pois nem só de química vive o homem! E, deve ser coisa de início de mês, aconteceu novamente. Da outra vez deve ter sido ali dia 05 passado – calculo por imaginar ser uma semana antes do carnaval e me lembrar de ser uma sexta. Mas nessa primeira foi diferente: teve grito e discussão, nem sei ao certo a causa, mas a senhora denunciava aos brados o descaso do atendimento curitibano. Mais especificamente: do atendimento em um supermercado curitibano em detrimento ao de um supermercado londrinense. Nada contra a rede, imagino, parece ter faltado o velho “encontrou tudo que desejava?”, isso que quando tem a gente se cansa e quando não tem alguém se queixa. Coisa de quem está insatisfeito e busca afeto em caixas ou empacotadores, decerto.
Hoje foi diferente. Fila de caixa rápido é encrenca, principalmente depois das 17h30, mas ainda é opção. Não quero generalizar, pois acho mesmo que não é opção pra todos. Fato é que eu estava entrando ali já no corredorzinho pros caixas, havia deixado o corredor do mercado [que, sabemos, fica povoado por conta do tamanho da linha humana], quando um estrondo me força o olhar para trás. Dizer que vi seria mentira, só o vulto sumindo entre a fileira de pessoas e a prateleira. Todos olhando, os mais próximos assustados. A cestinha tombada ao chão, produtos espalhados – alguns caídos da estante e outros, escolhidos a gosto, agora abandonados à sorte de um senhor que depois se candidataria a recolhê-los – sem reivindicação aparente [ou não].
Pra mim o que se evidencia, de maneira cada vez mais gritante, no trabalho e no dia a dia, é uma intolerância à frustração. É proibido proibir! Você pode – e deve! – tudo! Esse neoliberalismo, confesso, me deixa extremamente intrigado no que diz respeito ao caminho que a condução pode ganhar. Soa como uma subversão de ordem particular em âmbito social: todos e cada um sendo o Juggernaut encarnado em Coelho Branco, tendo como a própria consciência a Rainha de Copas. Tá, vocês sabem, eu sempre exagero um pouco; mas o “agora ou já” traz consigo esse potencial destrutivo, no qual a satisfação não tem o direito de vacilar. Enquanto isso Julia espera.
o retorno
quinta-feira, setembro 17th, 2009Tem aquela hora que a gente acorda e pensa ‘pootz, será que eu dormi mesmo ou foi só um sonho?’, e quase nada mais importa além da sensação de que algo foi perdido. Sim, perdido, pois se estava dormindo não viu passar e se estava sonhando deixou escapar. Resta uma nostalgia do nunca antes possuído. Aquela vontade de voltar
e agarrar cada milímetro que o ponteiro menor já rodou.
“- Quanto tempo!
- Pois é, quanto tempo!”
Não que seja de acanhar, mas não é fácil que se torne uma constante. Não, não, permanente já é demais!
E por vezes prende mesmo!
Quero voltar!
delatando el deleterio del anturio
domingo, julho 12th, 2009“¿Que le pasa a este niño?” – bradava a inconformada Consuelo de debaixo da mesa – “yo no creo!” – fazia questão de acentuar a não crença [e sabe-se que justamente por lhe fazer questão é que se entoa visceralmente]. Deixava a sala e, em seguida, a copa para passar a cozinha e alcançar, nos fundos, um quartinho ao qual destinava seus pertences. Logo foi pegando tudo com gestos bruscos e jogando o que não era seu por direito ao chão. Sapateava nos aventais e na pobre tiarinha ali à mingua. Santo algum a faria novamente aguentar as práticas características do intolerantismo, preconcebidas e executadas por criatura de pouca idade. Dona Charlene mais exprimia seu triste pesar do que a persuadia a desistir quando adentrava o quarto. “Sinto muito” – disse cabisbaixa sentando-se na pequena cama – “este guri é mesmo resistente às nossas tentativas”. A luz baixa que atravessava as persianas fechadas dava um tom melancólico às suas palavras. “É justo que nos deixe, porém, antes de partir, e como você nos abriu os olhos para o ocorrido com o vaso, peço como último favor que livre nossa pobre planta de novos episódios como este.”
E foi assim que Consuelo abandonou sua vida de diarista e deu início a outro projeto, o de jardineira.
e a pergunta da semana é:
terça-feira, junho 9th, 2009Quanto vale tudo que você acredita?
ge
terça-feira, maio 26th, 2009porque cada vez que te olho
tenho que ficar na ponta dos pés
pra tentar alcançar o chão
parece simples, mas a gente sobe
feito balão de parque
e tem que se agarrar
em alguma árvore, fio ou prédio
e fechar o olho é pior, vem
aquele gelo na barriga
como quando se sonha que cai
bem rápido, mas é subida
é que eu nunca costumei te olhar
nem ao lado de teu namorado,
ou equilibrando chapéu e óculos
quem sabe aqui ou Machu Picchu
porque cada vez que te olho
é a primeira vez que te vejo
e não dá pra não ser
pour ma mère, para proust (ou no fundo do quintal de casa)
segunda-feira, março 30th, 2009Chegando em casa numa segunda-feira, apressei-me em esvaziar os bolsos e despir-me de uma camiseta que inspira pouca confiança; com a breve impressão de que logo choveria e o tempo de janelas abertas seria curto. Era uma tarde quente de início de outono, quando as folhas ainda não caíram e a maioria delas ainda não está amarelada ou pendendo nos galhos como dedos de mãos exaustas, balançando suavemente às rajadas fortuitas de vento que tendem a se apressar e ganhar mais forma de acordo com o evoluir da estação; à vista, o beiral de casas e edifícios já sente o sabor umedecido de gotas que virão, como se a sede se lho apresentasse urgente tal a descomedida paixão por uma musa insistente em trajar seus curtos, sempre disposta a sorrir olhares, apontar lugares, desferir prioris, regular senão. O vaso estreito também pensa o mesmo e ao deitar do líquido antecipa o aroma, qual madeleine, faz brotar a sensação de um quintal singelo na mais tenra infância, donde o precioso tempo pôs-se ancorado na imagem de um arco-íris evidente sob o esguicho, e dentro dele; daquelas mãos que me tiraram febres e afastaram monstros a magia resplandecia a cada entardecer, despertando cores quase alucinantes nas pontas de pés de rosa, primaveras, bromélias e tantas outras que por mim se aventuraram a buscar tesouros. Daquele fundo vida se fez; a bater corações desencontrados: primos, amigos, irmã, avó, minha mãe; e atualiza-se quando recentes partem levando consigo parte de nós – não de mim, do que obtivemos – e deixam comigo seu íntimo apreço, o que jamais me escapa, e compartilho somente quando escrevo.
“Os esnobes gostam de salientar que, se Proust fosse mais bem-educado e não costumasse molhar o bolinho no chá, a literatura do mundo seria mais pobre”
- Edmund White
nas facetas da desilusão II
segunda-feira, março 23rd, 2009e tinha também aquele um que queria ser um homem-bala. Com hífen, mas não daquele que entra em um canhão e é lançado pra uma rede; muito menos toffe. Quem sabe, mirando bem, conseguiria então penetrar um coração.
*imagem extraída de http://www.overmundo.com.br/.














