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quarta-feira, julho 2nd, 2008
A equipe de reportagem Oito iria - com mais vogal que consoante - fazer a cobertura completa da parada da diversidade GBLT Curitiba 2008. Mas imprevistos do destino impossibilitaram tudo isso e nos forçaram a comer matambre com cerveja enquanto nos protegíamos da chuva senegalesca que precipitou sobre nós. Eu olhava aquela água caíndo e imaginava milhares de chapinhas sendo desfeitas.
Frente a isso, deixo apenas meu apoio à diversidade, a escova progressiva e a luta contra qualquer preconceito.
o soco, o chute e o grito (de gol?)
quarta-feira, junho 25th, 2008Interessante, tenho encontrado algumas idéias minhas por aí. Estive pensando em um tema pra exercitar minha escrita; não um tema específico, e justamente por isso achar interessante o percebido. Não pretendo aqui uma articulação completa da minha idéia, ainda não a tenho. Apenas o esboço de tal idéia se afigurará na sequência.
Tudo começou já há algum tempo, no trânsito, leituras, conversas esporádicas ou mesmo nas homéricas. Penso ter iniciado o raciocínio numa noite de segunda-feira, dirigindo, quando voltava da Associação Psicanalítica de Curitiba, após a leitura do texto Complexos Familiares de Jacques Lacan. Nele o autor apresenta os complexos como organizadores no desenvolvimento psíquico. Então, o mais primitivo dos complexos é o do desmame, que se compõe com todos os outros ulteriores. O complexo de intrusão coloca ali um outrinho, observado em relações sociais quaisquer, em posição de deleite - já que de leite ainda se abunda em pleno seio. Grosso modo, o sujeitinho se aliena à imagem especular que se lhe é refletida, esta é tida como uma intrusão narcísica (lá vem mais um falando lacanês, pois bem, ainda não cheguei onde queria, aguentem mais um pouquinho). Difícil pensar a agressividade como secundária à identificação no que diz respeito ao ciúme? Não muito? Isso tudo me fez pensar justamente sobre a violência enquanto expressão desta rivalidade. Quero dizer com isso que há saídas possíveis e não somente esta; ao mesmo tempo, pela identificação, podemos usar de exemplo desde a criancinha que chega no berço e faz aquele carinho gostoso de 16 toneladas no bebê, até aquela que começa a chorar quando vê outra chorando. Claro que até a idade adulta o sujeito ainda passa pelo - tão famoso - complexo de Édipo, considerado o próximo na função de ‘organizador’.
Foi mais ou menos daí que caí num tema que gosto muito e que ainda não me pus a redigir: futebol. Pelo raciocínio seguiria mais pela questão da rivalidade, a violência mesmo. Elucubrei acerca da atualização, da reedição desta rivalidade nos fanáticos e frenéticos. Na noite passada vi partes da entrevista do Zé Miguel Wisnik ao programa Roda Viva e hoje dei uma procurada por aqui. Não que o tenha ouvido falar a respeito da violência, mas creio poder me apropriar de mais argumentos pra discussão. Ele está lançando um livro chamado ‘Veneno remédio: O futebol e o Brasil‘. Devo dizer que fiquei ainda mais curioso para lê-lo após o cometário de Idelber Avelar. Pra complementar o comentário, leia também uma entrevista de Wisnik à Idelber - datada de 2006, quando o livro estava sendo confeccionado.
Como se as idéias já apresentadas fossem poucas, li também O trabalho do luto e achei que em tudo se relaciona na amarração. Muito provavelmente não o use enquanto texto base pra falar do tema, mas serve pra atentar à banalização da violência, das relações, da vida e da morte.
Chega! Já escrevi demais pra uma estréia!
Fui!
da vida honesta dos desmotorizados
segunda-feira, junho 23rd, 2008O jornalista Marcelo Träsel comentou aqui e aqui sobre os benefícios para o trânsito portoalegrense e para a qualidade de vida da população se os moradores das regiões centrais de PoA deixassem de usar seus carros.
Fora os argumentos mais comuns e recheados de importante bichogrilagem (menos poluição, mais exercícios físicos, saúde e coisa e tal), me parece que o argumento econômico que Träsel apresenta merece destaque:
Na verdade, usar transporte público é muito mais racional, economicamente falando. Claro, ninguém aqui vai negar que carros são divertidos, convenientes, confortáveis, bonitos e agradam às mulheres. Porém, custam caro. Muito caro. Usar táxi para realizar todas as suas atividades diárias pode compensar mais do que ter um carro, se você mora perto do centro. Considere o seguinte: uma viagem em bandeira 1 do centro da cidade até a Terceira Perimetral não costuma passar de R$ 15. Se você mora nesse círculo e for e voltar ao trabalho de carro todos os dias, gastará R$ 750 por mês, em média. Muito menos do que o valor de uma prestação de automóvel (60 vezes de R$ 487 para um Uno Mille 1.0 bagaceiro na Caixa Federal), mais gasolina, estacionamento, impostos, seguro e os inevitáveis consertos.
Embora sua análise seja feita sobre dados geográficos de Porto Alegre, acho que pode ser transposta à Curitiba. Para a maioria dos bairros que circundam o centro, uma viagem de táxi centro/bairro não passa de 10 reais. Se levarmos em conta que qualquer estacionamento no centro custa pelo menos 10 pilas para umas 4 horas, o taxi já está compensando. Sobretudo para sair pra beber. Mais segurança, já que o motorista do taxi dificilmente vai estar embriagado, menos preocupação (ultimamente já ouvi dois relatos de roubo de pneu step em estacionamentos) e menor custo.
Claro que, como também aponta o Träsel, isso vai contra boa parte dos valores ardorosamente cultivados na sociedade atual. Ter um carro particular assegura certa individualidade, independência (ainda que isso possa ser questionado), e - obviamente - um status que boa parte das pessoas está buscando. Pode ser muito cool posar de alternativo ou ecologista, frequentar a bicicletada, e contar para as meninas que você veio de bike para salvar o planeta mas talvez não seja tão admirada a proposta de ir para aquele motelzinho esperto na garupa da magrela.
Mas, de qualquer forma, considero a rede de taxi de Curitiba muito boa e suficiente para garantir independência de locomoção urbana, inclusive com fins de entretenimento adulto. Existe um grande número de empresas que operam na bandeira 1 24h/dia, possuem telefone 0800, e um número de carros grande o suficiente para que nunca se fique mais de 10 minutos esperando, depois de chamá-lo. Recentemente estão surgindo ainda boas novidades: carros com sistema de GPS e pagamento com cartão de débito. Sem risco de ser engabelado pelo motorista, já que o mapa na tela mostra exatamente o percurso que deve ser feito, e sem necessidade de ficar andando com dinheiro de papel por aí.















